GINJINHA

![]() |
Numa vão da porta no largo de são Domingos esconde-se um estabelecimento não maior que um cubículo. Atrás o balcão um homem barrigudo com bigode grande que coberta a metade da cara, está a servir aos clientes sem tomar fôlego uma vermelha bebida de cerejas . Fazem fila para tomar um rápido golo de ginjinha, assim se chama com o sem ginja ( zure kers) o liquido doce servido num cálice de licor. Na altura era a ginjinha muito popular pela burguesia local, fadistas e poetas. Parece que mesmo O Fernando Pessoas frequentava regularmente estes míni bares. Infelizmente não foi a único que ficava viciado à receita prescrita pelo Senhor doutor. Dizem-se que era um excelente remédio para os pulmões. Hoje a dia só os turistas e jovens (bebem a ginjinha junta com seven -up) frequentavam os dois bares únicos que restam em Lisboa.
| O poema A Ginjinha "Ó ginjinha licorosa, quanto do teu fruto São ginjas de Portugal? Por te bebermos, quantas mulheres choraram, Quantos amigos em vão nos pedincharam! Quantas moedas se gastaram Para que fosses nossa, Ó ginjinha! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a ginja não é pequena. Juntem-se a mim, que vou ali à Tendinha, Que por não beber já sinto dor. Venha, pois, de lá essa ginjinha, Que lhe tenho muito e tanto amor." TOMAS ESPITE, imitando Fernando Pessoa |























São Valentim
